Meu interesse em correlacionar os conhecimentos vem da infinita afinidade que tenho por ambas áreas. O TGI é a forma de se materializar os conceitos que permeiam a Arquitetura e a Música. Através de estudos, percebi que os campos do conhecimento da arquitetura e da música têm sido correlacionados, desde a antiguidade grega, com o desenvolvimento da matemática pelas experimentações permeadas pela música. O advento matemático permitiu a aplicação dos conhecimentos teóricos, fundamentados na música pelas proporções de seus intervalos, à arquitetura principalmente nos templos através da razão áurea e das ordens clássicas que organizavam a composição dos edifícios gregos, objetivando a harmonia inteligível, termo cunhado por John Summerson. Os tratadistas renascentistas, Vitrúvio, Alberti e Serlio ao representarem as ordens clássicas, toscana, dórica, jônica, coríntia e compósita, associavam às questões subjetivas de acordo com a estética. Para Vitrúvio, a estrutura das ordens se assemelhava a do corpo humano:
(...) Sempre se considerou que as ordens tivessem como que uma personalidade. Vitrúvio talvez tenha sido o responsável por isso. Para ele, o dórico como que exemplifica a "proporção, força e graça do corpo masculino” – presumivelmente de um homem médio e bem-constituído. O jônico se caracterizaria pela “esbelteza feminina”, e o coríntio, por imitar a “figura delgada de uma menina”, o que não difere muito do caso anterior.(SUMMERSON, 2006 p. 11)
Observa-se desde a antiguidade clássica, além da funcionalidade intrínseca à arquitetura, o emprego das subjetividades humanas nas construções, onde a “simbiose” dos conceitos de razão e emoção é expressa fisicamente através de proporções, harmonia, ritmo, levando ao paralelo da arquitetura com a música. Nietzsche, em O Nascimento da Tragédia do Espírito da Música, ilustra esses conceitos pelas figuras dos deuses gregos, Apolo e Dionísio, definindo a arte como o resultado da medida dos impulsos apolíneos e dionisíacos, ou seja, a razão e a emoção. Na arquitetura e música existe a constante busca pela coexistência dos conceitos da razão e emoção na realização de suas obras.
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