quarta-feira, 24 de março de 2010


Stretto House, Steven Holl



Mais uma prova da estreita relação entre Arquitetura e Música!!

A composição musical de Bartók, Música para Cordas, Percussão e Celesta de 1936 atuou como Partido para a arquitetura da Stretto House (1992) do arquiteto Steven Holl que se baseou na estrutura compositiva da peça musical de Bartók para projetar:
A composição de Bartók em quatro movimentos tem uma distinta divisão entre um tecido pesado (percussão) e um mais leve (cordas). A Stretto House é formada por quatro seções, cada uma delas constituídas por dois modos: um pesado – volumes ortogonais de alvenaria de blocos de concreto - e um leve - cobertura metálicas curvilíneas (o bloco de concreto e as estruturas de metal da arquitetura vernacular texana). (RABELO, 2007. p. 44)
O projeto evidencia na estrutura construtiva o mesmo princípio compositivo da peça de Bartók, na organização dos elementos arquitetônicos em quatro partes distinguindo a estrutura leve e pesada assim como na composição musical que possui a divisão em quatro movimentos onde os naipes leves, seção de cordas, que constroem o tema no primeiro movimento possui a escrita musical de acordo com a seqüência de Fibonacci e as entradas dos demais naipes como o da percussão também respondem, em frases em fortíssimo, de acordo com a seqüência.
Assim como no projeto Stretto House e da composição de Bartók, os elementos essenciais para a construção da concepção compositiva são radicados matematicamente e esteticamente, esses exemplos demonstram a constante proximidade entre as áreas dos conhecimentos que habitam nas esferas concretas e abstratas, o objetivo da pesquisa é de analisar como ocorrem as relações e convergências dos elementos compositivos na Arquitetura e Música.


O Conservatório de Música

É um centro de formação musical, que oferece especialização em diversas áreas do campo musical, tais como o domínio de um ou mais instrumentos musicais, composição, canto e regência. É caracterizado como curso técnico com o registro e reconhecimento no Ministério da Educação, ou seja, o músico com o título do conservatório pode atuar profissionalmente em grupos e estúdios, além de ministrar aulas de música.

O projeto tem por objetivo atender todas as classes sociais possibilitando a interação das diferenças sociais e levar conhecimento, profissionalização e cultura para as pessoas desprovidas de recursos financeiros.

O projeto se desenvolverá sob três bases fundamentais do ensino da música: a iniciação musical, a instrumentalização e a prática de orquestras e conjuntos musicais.

O tema: da onde surgiu?

Meu interesse em correlacionar os conhecimentos vem da infinita afinidade que tenho por ambas áreas. O TGI é a forma de se materializar os conceitos que permeiam a Arquitetura e a Música. Através de estudos, percebi que os campos do conhecimento da arquitetura e da música têm sido correlacionados, desde a antiguidade grega, com o desenvolvimento da matemática pelas experimentações permeadas pela música. O advento matemático permitiu a aplicação dos conhecimentos teóricos, fundamentados na música pelas proporções de seus intervalos, à arquitetura principalmente nos templos através da razão áurea e das ordens clássicas que organizavam a composição dos edifícios gregos, objetivando a harmonia inteligível, termo cunhado por John Summerson. Os tratadistas renascentistas, Vitrúvio, Alberti e Serlio ao representarem as ordens clássicas, toscana, dórica, jônica, coríntia e compósita, associavam às questões subjetivas de acordo com a estética. Para Vitrúvio, a estrutura das ordens se assemelhava a do corpo humano:

(...) Sempre se considerou que as ordens tivessem como que uma personalidade. Vitrúvio talvez tenha sido o responsável por isso. Para ele, o dórico como que exemplifica a "proporção, força e graça do corpo masculino” – presumivelmente de um homem médio e bem-constituído. O jônico se caracterizaria pela “esbelteza feminina”, e o coríntio, por imitar a “figura delgada de uma menina”, o que não difere muito do caso anterior.(SUMMERSON, 2006 p. 11)

Observa-se desde a antiguidade clássica, além da funcionalidade intrínseca à arquitetura, o emprego das subjetividades humanas nas construções, onde a “simbiose” dos conceitos de razão e emoção é expressa fisicamente através de proporções, harmonia, ritmo, levando ao paralelo da arquitetura com a música. Nietzsche, em O Nascimento da Tragédia do Espírito da Música, ilustra esses conceitos pelas figuras dos deuses gregos, Apolo e Dionísio, definindo a arte como o resultado da medida dos impulsos apolíneos e dionisíacos, ou seja, a razão e a emoção. Na arquitetura e música existe a constante busca pela coexistência dos conceitos da razão e emoção na realização de suas obras.